Crítica: “Gypsy – O Musical”
16/08/10
Texto originalmente publicado na Folha Online
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Estreou aqui em São Paulo no final do mês passado, no Teatro Alfa, mais um musical da consagrada dupla de diretores Charles Möeller e Claudio Botelho, “Gypsy”. Na bagagem, três meses de temporada lotada no Rio, além de críticas surpreendentemente positivas tanto do público quanto da imprensa especializada. Mas será que vale mesmo a pena ir até Santo Amaro –bairro paulistano que pode ser “longe” para muita gente– para assistir ao musical?

“Gypsy” conta a história de Mama Rose e de sua relação com suas filhas, June e Louise. Mama Rose é, como bem descreveu Charles Möeller, uma “loser”, uma mulher frustrada, que sonha com que suas filhas se tornem estrelas do teatro, e faz de tudo –num sentido não muito bom– para que isso aconteça. Sua protegida é June que, cansada de suas falsas promessas, foge de casa. À Mama Rose, resta Louise, o patinho feio da família. Louise, então, se revela uma bela mulher e acaba fugindo dos planos da sua mãe, se tornando Gypsy Rose Lee, a musa do teatro burlesco (que tem como característica principal o striptease).
O primeiro ato do espetáculo tem 1h30 e mostra características do teatro vaudeville (teatro de variedades). São 1h30 bem produzidas, como sempre são os trabalhos de M&B, mas demasiadamente entediantes. O público é apresentado à orquestra, aos personagens e… só. Cheguei a sentir um certo alívio ao ouvir o apresentador dizer “15 minutos de intervalo”.
Fiquei feliz pelo intervalo e, depois dele, continuei com a mesma sensação. No segundo ato, que é praticamente uma antítese do primeiro, “Gypsy” trata sobre o teatro burlesco e finalmente o elenco adulto começa a mostrar ao que veio. De forma inacreditável, a monotonia do roteiro desaparece, e neste momento que Mama Rose (Totia Meireles) fica cada vez mais cruel, tentando levar Louise (Adriana Garambone) para a fama.
Falando em Totia e Adriana, devo dizer que fico impressionado com a capacidade que Charles Möeller e Claudio Botelho têm de selecionar seus elencos. No caso de “Gypsy”, todos os holofotes vão para elas, que são dois furacões no palco. Tanto que as cenas mais emocionantes do espetáculo acontecem quando o palco é só delas: a cena do camarim de “Gypsy”, por exemplo, cala e impressiona todo o teatro. Isso sem falar no belíssimo sapateado de André Torquato.
Uma coisa que me deixou realmente incomodado ao assistir ao espetáculo foi o sobe e desce constante do pano para troca dos cenários, que eu achei estranho e desnecessário, pois passava a impressão de que a linearidade da história estava sendo interrompida. Isso não é comum, mesmo em espetáculos com vários cenários diferentes. Em outros musicais de grande porte, por exemplo, não é muito comum que essas trocas sejam feitas “escondidas” do público.
Ao contrário do que alguns fãs dizem, “Gypsy” não é a melhor peça em cartaz em São Paulo, e muito menos o melhor trabalho de Möeller e Botelho até hoje. O primeiro ato é chato, e isso não pode ser deixado de lado. Porém, os arrepios causados na plateia por Totia Meirelles e Adriana Garambone não podem ser ignorados. É um bom musical.
E ah, se vale a pena ir até Santo Amaro… Sim, vale.
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“Gypsy – O Musical”
Onde: Teatro Alfa (1.110 lugares) – r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. (11)5693-4000
Quando: Quintas às 21h, Sextas às 21h30, Sábados às 20h e Domingos às 17h (até 17/10)
Quanto: de R$ 30 a R$ 140
Classificação indicativa: 10 anos
Descontos: Cliente Ingresso Rápido e professores da Rede Estadual de SP têm 50% de desconto; sorteio de ingressos nos perfis oficiais do espetáculo nas redes sociais
No Folhateen: “Jekyll & Hyde – O Médico e o Monstro”
02/08/10
Olha só! Hoje saiu mais um texto meu na sessão “Você é o Crítico” do Folhateen (Folha de S. Paulo). Dessa vez, falei sobre “Jekyll & Hyde – O Médico e o monstro”, um espetáculo musical que está aqui em São Paulo. Leiam!

Gostaram? Deixem críticas/sugestões aí em baixo, nos comentários.
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“Jekyll & Hyde – O Médico e o Monstro”
Onde: Teatro Bradesco (1.457 lugares) – Bourbon Shopping Pompeia, r. Turiassú, 2.100, tel. (11)3670-4141
Quando: Quintas às 21h, Sextas às 21h30, Sábados às 17h e 21h e Domingos às 16h e 20h (até 18/10)
Quanto: de R$ 20 a R$ 190
Classificação indicativa: 12 anos
Descontos: Cliente Bradesco têm 25% de desconto nas compras com Cartões de Crédito do banco; clientes que possuem Cartão Zaffari têm 25% desconto apresentando o cartão no ato da compra dos ingressos; sorteio de ingressos no Twitter oficial do Teatro.
“O Despertar da Primavera” – Pocket Show
25/07/10
Ontem pela manhã, aconteceu aqui em São Paulo, na Livraria da Vila da Al. Lorena, um pocket show do “O Despertar da Primavera”. Se você costuma ler este blog ou me segue no Twitter, sabe que eu sou fã e claro, estive lá.
A ideia desse pocket show foi do perfil oficial do espetáculo no Orkut, baseado num vídeo do YouTube (assista abaixo) em que os atores da versão original do musical, da Broadway – “Spring Awakening” – se reuniram pra cantar numa livraria do jeito mais agradável possível: só eles, um violão e o público.
Aqui no Brasil, assim como lá nos EUA, o “mini-evento” foi um sucesso. As 10h da manhã, já haviam fãs do espetáculo na livraria aguardando. As 11h, o local já estava completamente lotado. Mas apesar do aperto, do calor e da falta de educação de alguns fãs que insistiam em amassar as pessoas que estavam à sua frente, o elenco do Despertar conseguiram ali, naquele cantinho da Livraria da Vila, encantar e emocionar quem os ouvia.
Logo quando chegaram, as meninas soltaram o vozerão cantando “Mama, Me Explica” (original e reprise). Logo depois, ouvimos o elenco todo em”Venha” e “Meu Vício”, seguido do excelente dueto – que me fez chorar- da linda e atensiosa Letícia Colin com o igualmente gente boa Bruno Sigrist, “Não Tem Tristeza e Vento Triste” . Pra finalizar, a galera toda, elenco e público, cantaram juntos “Canção de um Verão”. Foi tão emocionante que não deu pra segurar o choro – de novo- ao ouvir a Letícia Colin dizendo que “O que era dor/Ficou lá atrás/Na nossa primavera/Que já não volta mais…”. Como um plus, quem estava lá ainda pode ouvir o refrão de “Let the Sunshine In”. Uma maravilha!
Acredito que o Pocket Show foi sim uma boa ideia, principalmente como forma de instigarem as pessoas que já conhecem o musical a assistí-lo novamente (vi por lá até pessoas do Rio de Janeiro, onde “O Despertar…” fez um sucesso enorme. Como forma de divulgação ao resto do público, talvez não tenha sido bom, por dois motivos: 1)o espaço, como eu já disse, era pequeno. MESMO; 2)Só mesmo fã pra estar na Paulista as 11h num sábado. Mas tenho certeza de que, caso fosse melhor organizado, num espaço maior e com divulgação (junto com os anúncios da peça em jornais, por exemplo), seria bem melhor. Talvez “O Despertar…” está trazendo para o Brasil um novo modelo de divulgação teatral. Será?
E se você ainda não assistiu ao espetáculo, corra! A atual temporada é a última, e não será prorrogada. Ou seja, você tem até o dia 15 de Agosto para ir “muitas vezes sem para como se não houvesse amanhã”! Pra saber mais sobre “O Despertar da Primavera”, você pode entrar no site oficial, ficar atento às redes sociais do espetáculo (que sempre sorteiam ingressos) e também ler a minha crítica sobre o musical, que foi publicada no Folhateen no final da temporada passada.
Um jeito diferente de assistir a Copa do Mundo
18/07/10

Briga por ingresso, parque vazio e um ótimo show. Assim foi a última edição da Arena Coca-Cola SP, evento realizado pela Coca-Cola no Playcenter durante a Copa do Mundo deste ano. Com a proposta “comemore do seu jeito”, a Coca-Cola e o Playcenter se uniram para organizar a Arena, onde os visitantes poderiam assistir aos jogos do Brasil na Copa e brincar – de graça – no parque mais irado da cidade e ainda, de quebra, assistir a um grande show. Entre os artistas que se apresentaram na Arena, estão grandes nomes do cenário musical nacional, como Pitty, Marcelo D2, Jota Quest e muitos outros…
Fiquei sabendo da Arena por uma amiga minha, que iria ao primeiro dia do evento. Depois, acabei indo mais três vezes – nos shows do Marcelo D2, Jota Quest e também no último, do Monobloco. O evento em si é muito bom: você entra no parque de graça, brinca, assiste ao jogo e depois ainda tem a opção de brincar mais ou curtir um bom show. Bom mesmo: apesar de algumas bandas “miguxas”, a curadoria da Arena caprichou nas bandas escolhidas. E mesmo assim, não acho que chamar Hori e Cine para tocar para um público tão grande e diversificado seja um erro. É até um acerto: conseguiram agradar a todos.
Se olharmos o evento como um todo, talvez “agradar” não seja o adjetivo que mais fielmente descreve o evento como um todo. Apesar de proporcionar boas horas de diversão no Playcenter, a Arena Coca-Cola SP também teve seus defeitos. Por exemplo: para conseguir o passaporte, o interessado deveria ir até um Pit-Stop da Rádio Metropolitana – comandaado por pessoas extremamente antipáticas e grosseiras – e enfrentar uma fila gigantesca ( que chegava a dar voltas no quateirão) para conseguir um botton. Com o botton em mãos, ele deveria ir até um posto de troca (que ficava em outro ponto da cidade), entrar em outra fila do mesmo tamanho da anterior e trocá-lo por um par de ingressos. Agora, eu pergunto: pra quê tanta burocracia? Não seria mais fácil eliminar uma dessas etapas e, numa única fila, distribuir os ingressos? #ficadica para uma próxima vez.
Em compensação ao transtorno das filas para conseguir os ingressos, as pessoas que compareceram a Arena não encontraram filas muito grandes. Havia filas, evidentemente, mas qualquer um que visita o Playcenter com certa regularidade, percebeu que houve a preocupação de não superlotar o parque, como acontece em excursões escolares e feriados, por exemplo.
Mesmo com as filas razoavelmente pequenas, sempre tinha aquele engraçadinho disposto a brincar sem passar por elas. E vejam só! Diferente de outros dias – quando não há a Arena Coca-Cola – a segurança no Playcenter estava visivelmente mais presente e atenta à esses “furões”.
De fato, o Playcenter estava mudado com a Arena Coca-Cola. E não era só pelo clima de Copa. Além das filas mais tranquilas e segurança mais aplicada, não encontrei em nenhuma das três vezes que estive por lá alguma atração quebrada/em manutenção, o que também é comum em dias normais.
No geral, a Arena Coca-Cola SP foi uma experiência muito agradável e diferente. Mesmo com o inconveniente da confusão para conseguir os ingressos, poder brincar de graça no Playcenter sem grandes filas, assistir ao jogo no maior clima de estádio e ainda curtir um grande show no final foi bem legal! Tomara que, na próxima Copa (mesmo sendo aqui no Brasil), a Coca-Cola e o Playcenter realizem a Arena Coca-Cola SP novamente. Um ótimo evento, que eu iria de novo, com certeza.
A linha amarela, seus problemas e a ViaQuatro
10/07/10
Em 2 de Setembro de 2004 começava a construção da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo. Imaginada pela estatal desde 1940 para ligar o bairro de Pinheiros ao Sacomã, o projeto passou por inúmeras mudanças desde então, e após os demorados “estudos” do Metrô, decidiu-se que a nova linha ligaria a Luz à Vila Sônia, passando pelo centro velho, Paulista, Jardins, Pinheiros e Butantã.

Operários assistem a chegada do tatuzão ao final do percurso da Linha 4-Amarela, no centro de São Paulo. Foto: Paulo Liebert/AE
Diferente de qualquer outra linha do Metrô paulistano, a linha Amarela integraria grande parte do sistema metroferroviário da Grande São Paulo. Se tudo sair como planejado, em 2014 toda essa região contará com 8 linhas de Metrô, 2 de Metrô leve e 8 de Trens Metropolitanos (CPTM), sem contar a rede de corredores de ônibus da EMTU, que ligam os bairros de São Mateus, Jabaquara e Brooklin, passando por Santo André, São Bernardo e Diadema, além do corredor Itapevi-São Paulo. Com toda essa rede pronta – o que na prática é quase impossível em tão pouco tempo -, a Linha 4 do Metrô integraria 12 linhas da Rede Metropolitana de Transportes. Seria a Marginal Tietê do transporte sobre trilhos na capital paulista. Tanto que é chamada de “a linha da integração”.
Na teoria, a recém-mais-ou-menos-inaugurada linha do Metrô é maravilhosa, mas na prática, pra variar, não é bem assim. Desde quando o projeto final foi concluído, já se sabia que a linha não seria entregue totalmente pronta, mas sim em etapas. Na verdade, isso é bom, pois ajuda o Metrô a fazer alguns ajustes que se mostram necessários durante uma operação com menor quantidade de pessoas, além de permitir que os passageiros que moram nas regiões mais próximas do início da obra possam ser beneficiadas mais rapidamente. Mas é neste ponto que começamos a notar o abismo que existe entre teoria e prática quando o assunto é a Linha Amarela. O projeto final, apesar do nome, foi alterado muitas vezes, mesmo após o início das obras. Métodos de construção foram mudados, acidentes aconteceram e até uma estação foi deixada de lado. Isso acabou alterando as datas de conclusão das estações e tornou o mapa da linha uma verdadeira colcha de retalhos.
Você leitor, assim como eu, deve se lembrar do desabamento que aconteceu na Estação Pinheiros, que além de prejudicar famílias e causar várias mortes, foi responsável por um grande prejuízo financeiro e um atraso enorme no cronograma – que àquela altura já estava atrasado. Por conta desse acidente de outros problemas já citados – ou não, afinal, são vários – tanto nas obras quanto nos processos burocráticos (desapropriações, por exemplo), somente no dia 25 de Maio de 2010 o Governo do Estado de São Paulo conseguiu entregar, com ares de campanha política, o trecho de 3,6km entre as estação Paulista e Faria Lima. As estações Oscar Freire e Fradique Coutinho, que ficam entre as duas atualmente em operação, serão inauguradas somente em 2012.
Colocando todas essas datas na ponta do lápis, veremos que desde o início das obras até a data da inauguração apenas desse primeiro trecho se passaram 68 meses (5 anos e 8 meses). Isso dá, matematicamente – e arredondando – 53 metros construídos/mês, ou 636 metros/ano. Para efeitos de comparação, usarei a linha 14 do Metrô de Paris: para entregar um trecho de aproximadamente 8km desta linha, Paris precisou de apenas 5 anos, ou seja, 1,6km/ano. Quase três vezes mais do que São Paulo. E vale lembrar que a construção da linha 14 do Metrô de Paris aconteceu entre 1993 e 1998, com muito menos tecnologias de engenharia do que nós temos hoje.

Nova Estação Faria Lima e o novo trem, cujo modelo é inédito no Brasil. Fotos: Rogerio Cassimiro/UOL
Outra coisa que me incomoda muito (e pelo jeito é só comigo) é o modo de como a ViaQuatro e o Metrô estão trabalhando com esse novo modo de adminisração do Metropolitano de São Paulo. Pra quem não sabe, a administração dessa linha é uma PPP (Parceria Público-Privada) e funciona da seguinte forma: o Metrô constrói toda a linha e entrega a administração à ViaQuatro, concessionária do Grupo CCR, que tem o direito de explorá-la em troca de mantê-la em funcionamento, realizando manutenções, compra de novos trens e etc. Os problema são: 1)a diferenciação da identidade visual da Linha 4 em relação às outras linhas do sistema, destacando desnecessariamente o consórcio que a administra; 2)a cobrança de tarifa num trecho extremamente pequeno e com o horário de funcionamento reduzido (das 9h às 15h).
Pelo que vemos, a Linha 4 – Amarela é mais uma obra do Governo do Estado que serve apenas como propaganda eleitoral, já que a cada dia que passa o prazo de entrega da linha fica maior, e o paulistano sofre cada vez mais com os transtornos causados pelas construções.
Toda a integração e tecnologia da Linha 4, como trens mais confortáveis, sem divisão entre os carros, com ar-condicionado e sistema driveless (sem operador), estações mais modernas e tudo mais é muito boa, mas pena que somente no papel.
Enquanto isso, na coxia…
23/06/10
Teatro é legal. Musical então, é mais divertido ainda! Mas como todos nós sabemos, teatro é trabalho de formiguinha, e o que vemos no palco é o produto final do trabalho de várias pessoas que dão duro para que tudo saia perfeito na hora do espetáculo.
Na série de reportagens “Bastidores dos Musicais”, feita para o Jornal Hoje e exibida na semana passada, o jornalista Evaristo Costa mostrou o que acontece com grandes musicais antes, durante e depois de cada apresentação. Com o carisma que lhe é peculiar, Evaristo visitou os bastidores três principais musicais que estiveram em cartaz aqui em São Paulo nos últimos meses: “Hairspray”, “Cats” e “O Rei e Eu”.
Além de uma boa divulgação para o teatro musical brasileiro, que vem crescendo assustadoramente nos últimos anos, as reportagens mostram como é divertido e ao mesmo tempo bastante trabalhoso montar um grande espetáculo. Abaixo, você pode assistir a todos os cinco episódios da série. Os vídeos são da Globo.com.
Infância, cartões e minha relação com o dinheiro
19/06/10
Eu lembro bem da minha infância. Era engraçado. Eu sempre quis ter todos os brinquedos do mundo, mas obviamente, nem sempre sobrava grana no bolso dos meus pais para comprar muitos brinquedos todos os dias. Mesmo assim, eu sempre tive os melhores: trens elétricos, autoramas, carrinhos, ônibus, motos…
Eu achava uma delícia ir à loja com papai e mamãe para comprar brinquedos. Antes de sair de casa (muito antes!) eu entrava na internet – discada ¬¬ – e ficava horas procurando o carrinho mais bonito, ou o trem com o trajeto mais longo. Quando eu chegava na loja, ía direto pegar o presente que eu mesmo tinha escolhido! E na hora de passar o caixa, a mágica acontecia: a funcionária passava aquela caixa enorme no leitor de código de barras (que na época eu conhecia como “luz vermelha”, lol), minha mãe entregava o cartão pra ela e pronto! Era MEU!
Só que aí eu fui crescendo. E nisso, fui me relacionando mais diretamente com o dinheiro. Na sala de aula, sempre tinha um colega com um álbum de figurinhas e, na porta da escola, aquela tia com cara de anjo – apesar das rugas – vendendo doces. E pra comprar isso, logicamente, eu precisava de dinheiro. Moedinhas.

Fui pedindo. QUALQUER PESSOA que passasse por mim nunca escapava do meu lindo e sonoro “Me dá dinheiro?”. E sempre me davam alguma coisa. Só que, com essa mania de sempre pedir uns trocados para minha família, eu percebi que quanto mais eu tinha, maior era o meu poder de compra. Assim, enquanto meus amiguinhos ganhavam 50 centavos e íam direto para a bomboniere, eu guardava. Guardei tanto que, quando completei 7 anos, meu cofre já estava lotado: eram os meus primeiros cem reais.
De presente de aniversário, além de ganhar um trem MUITO legal, ganhei uma poupança, e lá depositei meus R$107, 25. No final, com essa história de juntar muito e gastar do meu dinheiro apenas o que eu considerava necessário, aos 11 anos eu cheguei ao meu primeiro MIL reais… e descobri o cartão de débito – que eu tinha direito devido a conta poupança. De lá pra cá, já gastei bastante, tanto no dinheiro quanto no cartão, e a cada dia eu gasto mais.
Fiz 15 anos no ano passado e hoje, seis meses depois, já tenho o meu primeiro cartão de crédito. Já na segunda fatura, estourei o limite do crédito que minha mãe concedeu (R$150). Comprei uma mesa para o meu notebook (R$125), um “número quatro com Coca grande sem pedra” no McDonald’s (R$13) e umas guloseimas no supermercado (R$21). Sim, eu tenho dinheiro para pagar… Aliás, esse foi o acordo com a minha mãe: comprou, pagou. Mas o problema é: será que essas compras cada vez mais caras e mais numerosas são só um bom reflexo do meu auto-controle financeiro, ou será que com esses cartões todos eu estou perdendo a noção do valor do dinheiro?
[Update!] Crítica: Teatro Abril, apresentando “Cats”
12/06/10
No último domingo (6) estive no Teatro Abril para assistir ao musical “Cats”. O ingresso, como eu divulguei pelo Twitter a caminho do teatro, era uma cortesia do Grupo CCR, fornecido por meio de um evento chamado “Festa do Teatro”, que acontece aqui em São Paulo desde o ano passado, e distribui ingressos de teatro gratuitamente em vários pontos da cidade, e que será assunto de um post em breve.
Para o espectador que tem interesse nos ingressos distribuidos pela Festa do Teatro, a mecânica é simples: ele vai até um dos postos de distribuição, entra na fila e retira um par de ingressos para um espetáculo a sua escolha. Já para o Grupo CCR, “o buraco é mais embaixo”.
Ninguém faz nada de graça, e isso é fato. Então, o que o Grupo CCR ganha por distribuir 40 mil ingressos teatrais assim, de graça? Desconto no Imposto de Renda, por meio da Lei Rouanet! Funciona da seguinte maneira: o Grupo faz um acordo com produtores teatrais, que concordam em vender a ele uma determinada quatidade de ingressos com 50% de desconto. Depois, por meio da Lei Rouanet de incentivo à cultura, a empresa pode deduzir do seu IR todo o dinheiro gasto com a compra desses ingressos. Assim, todo mundo sai ganhando.
No ano passado, eu consegui assistir 6 espetáculos com os ingressos que consegui ganhar da Festa. Neste ano, assisti três. E em todos os teatros que fui, o respeito e a dedicação dos funcionários foi a mesma com todo o público, independentemente de como a pessoa adentrou à sala de espetáculo. Exceto no Teatro Abril.
Essa era a visão que eu tinha do palco. Aqui, no Balcão B, o som era inexistente no dia que eu estive lá.
Para a apresentação do musical “Cats” do dia 06/06, às 20h, a Festa do Teatro comprou todos os lugares do setor “Balcão B”, que são as últimas 7 fileiras do balcão, ou seja, os lugares mais afastados do palco e, consequentemente, os mais baratos – é uma lógica com a qual eu concordo: quanto menor o preço, mais pessoas podem ser beneficiadas. Ao chegar ao Teatro, fiz como manda o figurino (e o meu ingresso): sentei na fileira J do balcão B, nas poltronas XX e XX. Porém, quando foi dado o segundo sinal, eu percebi que a plateia estava praticamente vazia (pouquíssimos lugares estavam ocupados). Sendo assim, perguntei à funcionária que estava no balcão se eu poderia descer à plateia, já havia lugares disponíveis. Ela disse que não, pois os ingressos para TODOS aqueles lugares tinham sido comprados, e que os “clientes” poderiam chegar a qualquer momento. Eu até tive que ouvir a seguinte frase: “Vai que o cliente chega no meio do segundo ato e eu tenho que te tirar do lugar dele? Eaí?”. Uma asneira, visto que no ingresso diz que “não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Ok. Fiquei no meu lugar (Balcao B – JXX). A visão, obviamente, não era das melhores, mas ainda assim seria possível assistir o espetáculo. Seria, não fosse a ausência completa de som no balcão. Todo o som que se ouviu vinha de trás do palco (onde fica a Orquestra do musical) e das caixas de som da plateia. Eu acredito até que as caixas de som do balcão deviam estar desligadas, afinal, eu conseguia ouvir a respiração das pessoas que estavam ao meu redor. Em suma, não era possível ouvir o espetáculo, e muito menos entendê-lo. Outro ponto: durante a encenação do primeiro ato, por algum motivo que eu desconheço, as funcionárias do Teatro (inclusive a que me impediu de descer à plateia) ficou tirando pessoas do Balcão B e colocando-as no Balcão A, atrapalhando assim a pouca visão que tínhamos da peça. Desrespeito total.
Ao final do primeiro ato, no ápice da minha revolta com o Teatro, desci para a plateia e sentei na terceira fila da plateia central. E aí sim, eu pude assistir a um espetáculo de verdade (e não aquele cinema mudo do primeiro ato). Mesmo assim, continuei só vendo o espetáculo, sem entender nada, já que não consegui assistí-lo como deveria, desde o começo.
Essa foi minha primeira visita ao Teatro Abril. Um Teatro lindo por fora e por dentro, mas que desrespeita e humilha quem não passa o cartão de crédito na bilheteria. Em tempo, deixo claro mais dois pontos: 1)apesar de EU não ter pago, o ingresso que eu utilizei para entrar na sala de espetáculos foi pago pelo Grupo CCR, ou seja, a produção do espetáculo e o Teatro receberam o dinheiro que tinham que receber, então, deveriam ter comigo o mesmo respeito que têm com o público dito “pagante”; 2)A troca de lugares após o segundo ou terceiro sinal e até mesmo no intervalo é comum em vários teatros, inclusive no Teatro Abril, segundo uma amiga que já comprou – comprou – ingressos para o Balcão B e assistiu ao espetáculo na plateia, pois pediu que, se possível, a trocassem de lugar.
Eu queria muito escrever um texto gigante como esse sobre “Cats”, mas infelizmente não pude, devido à incompetência e ao desrespeito do Teatro Abril com o público da Festa do Teatro. Dizem que “para criticar, tem que assistir até o final”. Como eu perdi o começo, eu não assisti “até o final”. Então, dedico este espaço para criticar o Teatro Abril, que interpretou de forma belíssima o papel de antagonista da noite. Tão bom no que fez que merecia até prêmio. Talvez o de melhor vilão.
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O espaço está aberto ao Teatro Abril, a Time For Fun e a qualquer outra empresa ou organização que queira se pronunciar sobre o caso.
–UPDATE!–
Contatada (com muito custo), Margareth, Gerente de Atendimento do Teatro Abril, respondeu a este post por telefone. Transcrevo abaixo o que ela disse.
Sobre a ausência de som no balcão, o Teatro Abril lamenta o ocorrido. Isso não é comum e portanto, a reclamação foi enviada ao Diretor Técnico do Teatro, Marcelo Gonzalez.
Quanto à troca de lugares, o Teatro não permite que isso aconteça, salvo casos específicos.
Sobre o atendimento, a informação não procede. O Teatro Abril sempre trata todo o seu público sem nenhum tipo de discriminação, com todo respeito e cordialidade, independente do tipo do ingresso. De qualquer maneira, convidamos o Sr. a voltar ao nosso Teatro para assistir novamente ao espetáculo “Cats” na data e horário de sua preferência.
Como fui convidado, assistirei “Cats” novamente no dia 18/07 (sábado), as 16h. Na semana seguinte, escreverei a crítica do espetáculo e do atendimento do Teatro Abril e publicarei aqui no blog.>
Crítica: Gorda
05/06/10
Assistir “Gorda” foi uma experiência bem interessante. Quando eu comecei a gostar de teatro de verdade, ao assistir “Avenida Dropsie”, não pensei que eu encontraria tantas reflexões e, principalmente, tantas verdades sobre o mundo e sobre as pessoas que nele vivem.
Em “Gorda”, foi isso que eu encontrei. Acompanho a peça desde sua estreia no Rio de Janeiro, no ano passado. Também pudera: no elenco, Fabiana Karla, Michel Bertovitch – indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator, Flávia Rubim e Mouhamed Harfouch, dirigidos pelo argentino Daniel Veronese, que já teve seus espetáculos encenados em mais de 70 cidades mundo afora. A peça conta a história de Helena (Fabiana Karla) e Tony (Michel Bercovitch). Ela é uma mulher de bem com a vida que não se preocupa com a cobrança de uma silhueta perfeita que a maioria das mulheres modernas vive diariamente. Já Tony é o cara que se apaixona por Helena e enfrenta o desafio de encarar as piadas hostis de seus amigos no escritório, Caco (Mouhamed Harfouch) e Joana (Flávia Rubim). O espetáculo já começa nos mostrando como Helena e Tony se conheceram: num self-service, durante o almoço.
E é assim, quebrando o estereótipo do namoro por interesse que Neil Labute inicia sua concepção extremamente realista de como o mundo das aparências funciona. Um mundo frio, interesseiro, onde a última coisa que se busca é a felicidade – se é que ela existe-, e sim um padrão. Este impactante texto de LaBute mostra, em meio a uma situação que vista de fora até parece engraçada, uma briga constante e muitas vezes imperceptível entre as pessoas auto-intituladas “normais” contra os que estão fora do que é estabelecido.
Alberto Negrin é quem assina o engenhoso cenário do espetáculo: formas circulares e curvas que a cada troca de ambiente giram em torno de si mesmas revelando vários cenários diferentes. Negrin criou, sem sombra de dúvidas, uma das cenografias mais dinâmicas que eu já vi. No entanto, o que mais chama a atenção em “Gorda” é quem interpreta a personagem do título. Fabiana Karla, nacionalmente conhecida como uma excelente atriz de humor, se mostra excepcional também num texto dramático, deixando claro que é uma profissional bastante versátil e talentosa. Faço minhas as palavras de Artur Xexéo em sua coluna no Segundo Caderno d’O Globo sobre a atuação de Fabiana: “…desde sua primeira aparição em cena, a plateia está em sua mão”.
De fato, o único defeito de “Gorda” é o seu enredo. Desde a primeira cena da peça fiquei receoso por perceber que estava assistindo à encenação de um belo texto, porém com acontecimentos demasiadamente demorados. E é no final, após 2 horas de seguidas “DR’s” e de falas imorais – que infelizmente são só um reflexo da realidade-, que percebemos a profundidade da mensagem passada por LaBute: a de que o mundo pode ser um lugar muito melhor, desde que deixemos o preconceito de lado. O problema é que para fazer isso, é necessário ser um herói… E como o próprio Neil disse, “o heroísmo é um trabalho muito pesado”.
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“Gorda”
Onde: Teatro Procópio Ferreira (670 lugares), r. Augusta, 2.823, tel. (11)3083-4475
Quando: Sextas e Sábados às 21h30 e Domingos às 19h (até 27/06)
Quanto: de R$ 30 a R$ 70
Classificação indicativa: 14 anos
Descontos: os seguidores do espetáculo no Twitter (@gorda_a_peca) têm 50% de desconto nas sessões de Sexta e Domingo, até o fim da temporada.
“Vício” s.m. 1.Viver…
13/05/10
Afinal, o que é vício? Vício é gostar muito de uma coisa ou depender de determinada coisa para ter uma vida normal e “sóbria”? Não sei…
Eu disse no Twitter, há algum tempo atrás, que se dedicar aos vícios é a melhor forma de viver. Um pensamento prematuro, talvez, devido a minha pouca idade, mas que se adequava (e ainda o faz) perfeitamente à minha vida. Mas calma! Não estou falando de bebidas nem drogas.
Sempre me apeguei muito facilmente com coisas das quais eu gostava, mas infelizmente não as largava com a mesma facilidade. Ouvir durante meses a mesma música, torcer para que um certo dia da semana chegue e quando ele finalmente chegar, já pensar no próximo, colocar o celular para despertar a cada 15 minutos durante uma hora, ir ao teatro todos os fins de semana mesmo sem ter um centavo no bolso e até mesmo descalçar as meias sempre na mesma ordem. Nem eu entendo porque faço isso. Queria muito, mas não entendo. Talvez haja uma explicação MÉDICA para algumas dessas manias, porque né…
Sim, é bom viver desse jeito, é gostoso. Mas e quando você enjoa de uma coisa e, mesmo assim, não consegue largar? #comolidar? E você começa a pensar que, além de estar te incomodando, isso pode estar incomodando outras pessoas, mesmo sem elas darem o menor sinal disso?
Confusão. Eu estou me agradando e, ao mesmo tempo, tentando agradar os outros. Ou não. De novo, não sei. Merda.
Acho que o melhor a fazer é deixar rolar. Avenida Q me ensinou que “tudo há de passar”, então, se não passou é porque ainda chegou a hora. E quando ela chegar, eu com certeza não vou nem notar.
Tomara…








