Reclamações
[Update!] Crítica: Teatro Abril, apresentando “Cats”
12/06/10
No último domingo (6) estive no Teatro Abril para assistir ao musical “Cats”. O ingresso, como eu divulguei pelo Twitter a caminho do teatro, era uma cortesia do Grupo CCR, fornecido por meio de um evento chamado “Festa do Teatro”, que acontece aqui em São Paulo desde o ano passado, e distribui ingressos de teatro gratuitamente em vários pontos da cidade, e que será assunto de um post em breve.
Para o espectador que tem interesse nos ingressos distribuidos pela Festa do Teatro, a mecânica é simples: ele vai até um dos postos de distribuição, entra na fila e retira um par de ingressos para um espetáculo a sua escolha. Já para o Grupo CCR, “o buraco é mais embaixo”.
Ninguém faz nada de graça, e isso é fato. Então, o que o Grupo CCR ganha por distribuir 40 mil ingressos teatrais assim, de graça? Desconto no Imposto de Renda, por meio da Lei Rouanet! Funciona da seguinte maneira: o Grupo faz um acordo com produtores teatrais, que concordam em vender a ele uma determinada quatidade de ingressos com 50% de desconto. Depois, por meio da Lei Rouanet de incentivo à cultura, a empresa pode deduzir do seu IR todo o dinheiro gasto com a compra desses ingressos. Assim, todo mundo sai ganhando.
No ano passado, eu consegui assistir 6 espetáculos com os ingressos que consegui ganhar da Festa. Neste ano, assisti três. E em todos os teatros que fui, o respeito e a dedicação dos funcionários foi a mesma com todo o público, independentemente de como a pessoa adentrou à sala de espetáculo. Exceto no Teatro Abril.
Essa era a visão que eu tinha do palco. Aqui, no Balcão B, o som era inexistente no dia que eu estive lá.
Para a apresentação do musical “Cats” do dia 06/06, às 20h, a Festa do Teatro comprou todos os lugares do setor “Balcão B”, que são as últimas 7 fileiras do balcão, ou seja, os lugares mais afastados do palco e, consequentemente, os mais baratos – é uma lógica com a qual eu concordo: quanto menor o preço, mais pessoas podem ser beneficiadas. Ao chegar ao Teatro, fiz como manda o figurino (e o meu ingresso): sentei na fileira J do balcão B, nas poltronas XX e XX. Porém, quando foi dado o segundo sinal, eu percebi que a plateia estava praticamente vazia (pouquíssimos lugares estavam ocupados). Sendo assim, perguntei à funcionária que estava no balcão se eu poderia descer à plateia, já havia lugares disponíveis. Ela disse que não, pois os ingressos para TODOS aqueles lugares tinham sido comprados, e que os “clientes” poderiam chegar a qualquer momento. Eu até tive que ouvir a seguinte frase: “Vai que o cliente chega no meio do segundo ato e eu tenho que te tirar do lugar dele? Eaí?”. Uma asneira, visto que no ingresso diz que “não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Ok. Fiquei no meu lugar (Balcao B – JXX). A visão, obviamente, não era das melhores, mas ainda assim seria possível assistir o espetáculo. Seria, não fosse a ausência completa de som no balcão. Todo o som que se ouviu vinha de trás do palco (onde fica a Orquestra do musical) e das caixas de som da plateia. Eu acredito até que as caixas de som do balcão deviam estar desligadas, afinal, eu conseguia ouvir a respiração das pessoas que estavam ao meu redor. Em suma, não era possível ouvir o espetáculo, e muito menos entendê-lo. Outro ponto: durante a encenação do primeiro ato, por algum motivo que eu desconheço, as funcionárias do Teatro (inclusive a que me impediu de descer à plateia) ficou tirando pessoas do Balcão B e colocando-as no Balcão A, atrapalhando assim a pouca visão que tínhamos da peça. Desrespeito total.
Ao final do primeiro ato, no ápice da minha revolta com o Teatro, desci para a plateia e sentei na terceira fila da plateia central. E aí sim, eu pude assistir a um espetáculo de verdade (e não aquele cinema mudo do primeiro ato). Mesmo assim, continuei só vendo o espetáculo, sem entender nada, já que não consegui assistí-lo como deveria, desde o começo.
Essa foi minha primeira visita ao Teatro Abril. Um Teatro lindo por fora e por dentro, mas que desrespeita e humilha quem não passa o cartão de crédito na bilheteria. Em tempo, deixo claro mais dois pontos: 1)apesar de EU não ter pago, o ingresso que eu utilizei para entrar na sala de espetáculos foi pago pelo Grupo CCR, ou seja, a produção do espetáculo e o Teatro receberam o dinheiro que tinham que receber, então, deveriam ter comigo o mesmo respeito que têm com o público dito “pagante”; 2)A troca de lugares após o segundo ou terceiro sinal e até mesmo no intervalo é comum em vários teatros, inclusive no Teatro Abril, segundo uma amiga que já comprou – comprou – ingressos para o Balcão B e assistiu ao espetáculo na plateia, pois pediu que, se possível, a trocassem de lugar.
Eu queria muito escrever um texto gigante como esse sobre “Cats”, mas infelizmente não pude, devido à incompetência e ao desrespeito do Teatro Abril com o público da Festa do Teatro. Dizem que “para criticar, tem que assistir até o final”. Como eu perdi o começo, eu não assisti “até o final”. Então, dedico este espaço para criticar o Teatro Abril, que interpretou de forma belíssima o papel de antagonista da noite. Tão bom no que fez que merecia até prêmio. Talvez o de melhor vilão.
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O espaço está aberto ao Teatro Abril, a Time For Fun e a qualquer outra empresa ou organização que queira se pronunciar sobre o caso.
–UPDATE!–
Contatada (com muito custo), Margareth, Gerente de Atendimento do Teatro Abril, respondeu a este post por telefone. Transcrevo abaixo o que ela disse.
Sobre a ausência de som no balcão, o Teatro Abril lamenta o ocorrido. Isso não é comum e portanto, a reclamação foi enviada ao Diretor Técnico do Teatro, Marcelo Gonzalez.
Quanto à troca de lugares, o Teatro não permite que isso aconteça, salvo casos específicos.
Sobre o atendimento, a informação não procede. O Teatro Abril sempre trata todo o seu público sem nenhum tipo de discriminação, com todo respeito e cordialidade, independente do tipo do ingresso. De qualquer maneira, convidamos o Sr. a voltar ao nosso Teatro para assistir novamente ao espetáculo “Cats” na data e horário de sua preferência.
Como fui convidado, assistirei “Cats” novamente no dia 18/07 (sábado), as 16h. Na semana seguinte, escreverei a crítica do espetáculo e do atendimento do Teatro Abril e publicarei aqui no blog.>
